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Nêmatoide do pinheiro: Bursaphelenchus xylophilus detectado na França

Pesquisador com capacete laranja analisando planta com lupa em floresta, livro aberto em toco.

Responsável por uma verdadeira devastação nos países da Península Ibérica, esse parasita vinha sendo temido pela comunidade científica há quase 20 anos.

Minúsculo e quase impossível de ver a olho nu, esse verme pode eliminar grandes áreas de floresta no país. Ele ataca sobretudo o pinheiro-marítimo (Pinus pinaster), do qual depende para sobreviver, embora seja capaz de infectar praticamente todas as coníferas - com a exceção marcante da tuia. O nome dele: Bursaphelenchus xylophilus, mais conhecido como o nêmatoide do pinheiro. Em 4 de novembro, o Ministério da Agricultura informou ter detectado os primeiros exemplares em solo francês, na comuna de Seignosse (Landes).

Trata-se de uma espécie invasora extremamente agressiva, originária da América do Norte, que hoje ameaça um pilar ecológico e económico do maciço florestal das Landes. Essa chegada pode colocar em risco décadas de gestão florestal numa área já enfraquecida por ondas de calor e incêndios.

Nêmatoide do pinheiro: o novo pesadelo das florestas francesas

Com menos de 1 milímetro, o nêmatoide do pinheiro é pequeno, mas tem um apetite destrutivo. Ele penetra nos tecidos responsáveis pela condução da resina - o sistema vascular da árvore - e bloqueia o fluxo interno. Sem essa seiva essencial e incapaz de levar água até as partes superiores, o pinheiro vai secando, amarelando e morre em poucas semanas.

O ritmo de reprodução agrava ainda mais o cenário: o ciclo é tão curto que, nos períodos quentes (primavera e verão), pode ser concluído em apenas quatro dias.

Ao contrário de outros parasitas (como certos insetos ou fungos), o nêmatoide quase não deixa marcas visíveis na casca, o que torna a identificação muito mais difícil. Ele ocupa a árvore por dentro, no início sem sinais aparentes, até que as agulhas percam a cor e o pinheiro acabe morrendo em pé.

Como o parasita se espalha: o papel do longicórnio-do-pinheiro

O deslocamento do nêmatoide ocorre graças ao longicórnio-do-pinheiro (Monochamus galloprovincialis), um besouro que se aproveita de árvores já debilitadas. Quando o inseto adulto se alimenta da casca ou deposita ovos no tronco, os nêmatoides que ele carrega involuntariamente - no corpo ou nas vias respiratórias - entram na madeira, onde conseguem iniciar o seu ciclo.

Da Península Ibérica às Landes: uma expansão que não foi contida

A primeira deteção na Europa ocorreu em 1999 e, a partir daí, o impacto foi imediato: milhões de árvores foram destruídas em Portugal, levando o país a lançar uma operação de reflorestamento emergencial. Menos de dez anos depois, em 2008, o nêmatoide atravessou para a Espanha, provocando uma mortandade de dimensão semelhante.

Ao que tudo indica, os Pirenéus não foram suficientes para travar o avanço. Agora, com a chegada às Landes, o parasita encontra espaço para se instalar nas extensas florestas que caracterizam a região.

Por que a França entrou na lista - e por que erradicar é quase impossível

Já registado em várias áreas do mundo (Japão, Taiwan, China, entre outras), a França passa agora a integrar a lista de territórios afetados. A chegada e a instalação resultam de uma combinação de fatores que favoreceram a sua fixação e propagação: temperaturas mais amenas associadas ao aquecimento global, seca e práticas de silvicultura em monocultura, altamente prejudiciais à resiliência das florestas.

O cenário torna-se ainda mais crítico porque, depois que o nêmatoide se adapta a um ecossistema, é praticamente impossível erradicá-lo. Medidas de contenção - como corte preventivo de árvores, destruição da madeira cortada e infetada e controlo dos insetos vetores - podem atrasar o avanço, mas não são suficientes para eliminá-lo. Tudo indica que o nêmatoide continuará a se expandir nas florestas da França, como ocorreu noutros lugares, e é muito provável que, com o tempo, o nêmatoide do pinheiro se torne endémico.

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